Juíza Selma Arruda afirma que Inteligência da Polícia Civil também fez grampos ilegais

untitledINVESTIGAÇÕES NEUTRAS – A medida que as investigações avançam, ficam cada vez mais claras as ilegalidades das escutadas clandestinas dentro das Polícias Civil e Militar de Mato Grosso. Os “escândalos” estão virando “rolos compressores” nunca vistos na história deste Estado. A meta agora é saber quem mandou, quem autorizou, quem era o interessado, ou interessados, e com que finalidade os grampos clandestinos foram feitos.

“Escândalos” sem precedentes, que vai virando também uma “bola de neve”, atingindo muita gente de todos ops escalões da Segurança Pública deste Estado.  Por trás disso tudo, segundo a opinião pública. Ou seja, o que se escuta nas ruas, “deve ter um peixe grande”, que até agora não apareceu e não foi ventilado nas investigações.

Investigações, segundo também o que se ouve nas ruas, que deveria ser feita por uma instituição independente, tipo a Polícia Federal (PF), mas que não houvesse nenhum tipo de dúvida no final dessa história negra, que coloca em risco o Estado e, principalmente a democracia.

Uma fonte do próprio Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), ouvida pela reportagem do Portal de Notícias 24 Horas News no início da tarde desta terça-feira, 30, mas que pediu para não ter seu nome divulgado, foi bem clara em afirmar que “a sujeira foi muito grande. Algo parecido ou pior do que aconteceu nos tempos da ditadura militar, e que por isso precisa ter uma investigação neutra, transparente”.

“O escândalo das escutas telefônicas clandestinas foi algo estarrecedor, sujo, nojento. Uma coisa imunda  que coloca em risco o Estado e a democracia. Por trás de tudo isso deve haver um mandante poderoso, e por isso é necessário que haja neutralidade nas investigações. Se existem policiais militares, policiais civis e altas autoridades deste Estado acusadas como envolvidas, estão essas mesmas autoridades não poderiam se envolver nas investigações”, alerta a fonte.

MAIS ESCÂNDALO

Desta vez quem fez a denúncia partiu da própria juíza Selma Rosane Santos de Arruda em oficio encaminhado à Corregedora-Geral do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargadora Maria Aparecida Ribeiro.

De acordo com o relato de Selma, duas pessoas da lista de mais de 40 que foram alvos das interceptações telefônicas clandestinas que foram supostamente grampeadas pela Policia Militar de Mato Grosso, tiveram os seus números telefônicos incluídos nos grampos a pedido da delegada Alana Darlene Souza Cardoso da Polícia Judiciária Civil, que há época era a Diretora de Inteligência da Polícia Judiciária Civil.

A operação clandestina conhecida como ”barriga de aluguel” incluiu os telefones de Tatiana Sangalli Padilha (suposta ex-amante) e Caroline Mariano dos Santos (ex-assessora), ambas ligadas ao ex-chefe da Casa Civil Paulo Taques.

“É possível verificar que existem indícios de que os terminais telefônicos (65) 9998-1122 e (65) 9208-6867 foram inseridos pela autoridade policial, delegada Alana Derlene Souza Cardoso. Esta delegada ocupava, na época, o cargo de Diretora de Inteligência da Polícia Judiciária Civil, diretamente ligada à Secretaria de Segurança Pública, cujo titular era o promotor de justiça Mauro Zaque de Jesus.

Foi ela a coordenadora da Operação Fortis, da SESP. O ocorrido denota, a princípio, típico caso da chamada “barriga de aluguel”, que induziu tanto o Ministério Público quanto o juízo a erro”, diz trecho do documento proferido pela juíza Selma Arruda no último dia de 25 de maio.

Segundo as informações da magistrada, os números da Tatiana Sangalli e Caroline Mariano, que foram “identificadas” como “Dama Lora” e “Amiguinha” respectivamente, foram grampeados no segundo pedido da “Operação Forti” em fevereiro de 2015, comandada pela Inteligência da Polícia Judiciária Civil, que investigava crimes ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho de Mato Grosso (CVMT).

Selma Arruda, em seu ofício, explica que nunca foram enviados os áudios das duas vítimas. “Esclareço que, em relação à Operação Fortis, os áudios dos demais investigados foram remetidos regularmente ao juízo, restando não enviados apenas os desses dois alvos, eis que o relatório aponta que não houve conversa no período”, explica a magistrada.

Já quanto ao grampo nos dois telefones solicitados na “Operação Querubim”, que começou um mês após a “Operação Forti” e que foi comandada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Selma Arruda informou que ocorreram de maneira legal.

A Operação Querubim investigou a desconfiança que uma organização criminosa, vinculada ao ex-comendador João Arcanjo Ribeiro, tramava contra a vida do governador Pedro Taques (PSDB).

A juíza ainda levantou a hipótese de que Operação Querubim possa ter sido criada pelos investigadores. “Neste caso não há como afirmar que houve ‘barriga de aluguel’, já que os nomes e dados dos alvos interceptados foram efetivamente revelados pela autoridade policial, não se descartando, contudo, que possa ter havido a construção de [história cobertura], para dar legitimidade às escutas”.

Selma Arruda ainda alega que na época, “era impossível a constatação de eventual fraude, até porque se trata de duas representações, formuladas por autoridades policiais distintas, lotadas em unidades diversas”, complementa a titular da 7ª Vara Criminal.

Por fim, Selma Arruda sugere auditorias nos Sistemas “Guardião” e “Vigia”, do Grupo de Atuação Especial no Combate do Crime Organizado (Gaeco) e da Polícia Judiciária Civil, respectivamente.

O Ofício foi encaminhado também ao Ministério Público Estadual (MPE), a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) e a Corregedoria da Policia Civil.

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